Pessach 5786/2026
Pessach nos lembra
que a vida é uma travessia permanente.
Entre um passado que ensina e ilumina,
e um passado que ofusca e distorce.
Entre o desejo de possuir a verdade,
e a consciência de nossa finitude.
Entre a fixação no trauma,
e a sua superação.
Entre querer ter,
e querer ser.
Entre o supérfluo,
e o essencial.
Entre impor e controlar,
e dialogar.
Entre falar
e ouvir.
Entre idolatrar ideias,
e santificar a vida.
Entre onipotência,
e ironia.
Entre dogmatismo
e dúvida.
E, como judeus, reafirmamos o que Pessach nos ensina:
Que fomos perseguidos,
e não devemos perseguir.
Que fomos humilhados,
e não devemos humilhar.
Que fomos estigmatizados,
e não devemos estigmatizar.
Que fomos oprimidos,
e não devemos oprimir.
Por isso, em Pessach celebramos a disposição de sermos livres sem negar nossos medos e inseguranças, reafirmando nossa vontade de amar e aprender, de lutar pela liberdade e pela justiça, e agradecemos.
Shehechyanu, ve´vequiemanu ve’higuianu lazman haze.Que vivemos, que existimos, que chegamos, a este momento.
Âmen
Bernardo Sorj